quarta-feira, 10 de junho de 2009

Exercícios e histórias

Cristina e Gabriel se davam muito bem. Apesar de serem absurdamente diferentes um do outro, eram amigos, se aceitavam e conviviam tranquilamente. Cristina, pé no chão, era muitas vezes o que tentava prender Gabriel em terra firme. Já ele, otimista inveterado, impedia que ela se lembrasse apenas de problemas. Nessa harmonia, eles permaneceram amigos por um bom tempo.

Mas a intimidade, inevitável e coisa estranha que é, tratou de mudar isso. Com o passar do tempo, Cristina passou a não ter medo de expor suas opiniões a Gabriel. Ela não se importava de eles pensarem diferente, portanto ele também não se importaria. Não foi o que aconteceu.

A grande diferença de opiniões entre Gabriel e sua amiga o incomodavam profundamente. Para ele, o fato de Cristina pensar de modo tão diferente dele era prova concreta de que ela o considerava errado em suas crenças e suposições. E isso ele não aceitava. Então, sempre que isso acontecia, ele mostrava todos os argumentos possíveis para provar para ela que, sim, ele estava certo.

O que Gabriel, mas não Cristina, ignorava era que não há somente UM certo, assim como não há necessariamente um errado. Ela ter idéias diferentes não significava que achasse que ele estava errado. Simplesmente dizia que eles eram pessoas diferentes. Desconhecendo por completo este fato, ele se irritava cada vez mais, e os dois começaram a brigar com frequência.

Mas não se engane. Cristina também tem a sua parcela de culpa. Embora fosse uma pessoa relativamente fácil de lidar, simplesmente não suportava quando alguém tentava muda-la a força. Defendia-se com unhas e dentes. Quanto mais a puxassem para algum lugar, mais ela se predia para não se mover. Não é necessário dizer que isso só agravou a situação.

As brigas continuaram, por qualquer motivo e cada vez mais frequentes. Chegaram, de fato, a tal ponto que Cristina sentiu que não podia mais se amiga de Gabriel. Ele não a ceitava mais como era. Como ser amiga de alguém que não se conforma com você ser como é? Que insiste para que você mude quando ele mesmo se recusa a fazer isso?

Gabriel pediu desculpas, disse que ia tentar aceita-la. Afirmou que ele, ou ela, nãio precisavam mudar em nada. Era simples exercício de aceitação. Ele precisava aceitar o fato de que Cristina jamais concordaria com ele em muita coisa, e aprender a viver com isso como ela vivia. Ele ingenuamente prometeu e ela ingenuamente aceitou.

Nada mudou. Na primeira divergência, tudo voltou como antes: as brigas, as pedras. Com um agravante. Cristina percebeu que, sempre que se tornavam mais emocionalmente próximos, Gabriel se tornava mais agressivo. Ela já sabia que ele era assim, mas achou, como todos sempre acham, que com ela seria diferente. Não era. Não só Gabriel não a aceitava como, inconscientemente, fazia de tudo para mante-la longe.

Ela entendia aquela situação muito bem. Por anos fez exatamente a mesma coisa. Construiu uma muralha que impedia as pessoas de chegarem muito perto para não se machucar. Já se ferira demais no passado. Então, para ela, aquilo tinha uma solução. Não tinha.

A resposta de Gabriel? Eu não posso mudar quem eu sou. Nunca vou poder deixar ninguém passar pelo meu escudo, nem mesmo você. E nunca vou conseguir te aceitar completamente.

E naquele momento o mundo de Cristina ruiu. Uma das pessoas em quem mais confiava, uma das poucas na verdade, a decepcionou. Não podia mais estar lá quando ela precisasse. E a solução se tornou clara novamente. Não podia mais ser amiga de Gabriel. Se ele queria distância dela, ela o daria. Se queria que o deixassem em paz atrás de seus muros, ela o deixaria, construindo um novo para si mesma, Afinal, eles finalmente concordaram. De que adiantava deixar alguém alguém se aproximar, então? Cristina deixou Gabriel entrar, e o que isso a custou?

Gabriel se arrependeu. Pediu desculpas novamente, disse que não queria perder a amizade de Cristina. Disse que não sabia derrubar a muralha sozinho. Mas, agora, talvez Cristina também não soubesse.

E a história é interrompida aqui. Gabriel pediu paciência a Cristina. Paciência para que ele aprenda, ou não, a aceitar diferenças. Paciência para que a amizade volte, ou não, a ser como antes. Pode levar semanas, anos. Pode nunca acontecer. E, enquanto isso, Cristina sofre.

A Cristina deve ceder, mesmo sabendo que as chances de tudo acabar mal são grandes? Ou deve manter a sua decisão, e deixar para trás uma amizade que já foi tão bonita?

E Gabriel? Deve se conformar com o fato de que há certas coisas que se quebram e não têm conserto? Ou deve tentar mudar e DEixar Cristina ajuda-lo?

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Pois é, pessoal. Quero a opinião de vcs XD Escrevam elas aki no blog. Mas não se enganem. Isso é só um exercício de psicologia. A Cristina e o Gabriel só existem na minha mente, ok? XD
Kisu

1 pedras:

Caio Azul disse...

Gabriel:
Não espere minhas lágrimas, pq vc não as verá. Você verá o sorriso que é o que eu tenho pra mostrar pros outros...
Fico triste em saber que isso, por mais profundo que seja (e eu sei que é), consiga fazer com que você deixe de estar no palco...
Espero que repense.
E minha tentativa de mudar vc ignorou solenemente...então não sei mais nada o que fazer agora.
Estarei lá amanhã, com as roupas...se mudar de idéia...

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